O Valor da Pontuação

Luiz Bertin Neto

Um homem rico, sentindo-se morrer, pediu papel e caneta e escreveu assim:

Deixo meus bens à minha irmã não ao meu sobrinho jamais será paga a conta do alfaiate nada aos pobres.

Não teve tempo de pontuar e morreu. A quem deixara ele a riqueza?

Eram quatro os concorrentes.

Chegou o sobrinho e fez estas pontuações na cópia do bilhete: Deixo meus bens à minha irmã? Não! Ao meu sobrinho. Jamais será paga a conta do alfaiate. Nada aos pobres.

Veio a irmã do morto, em seguida, com outra cópia do escrito, que pontuou deste modo: Deixo meus bens à minha irmã. Não ao meu sobrinho. Jamais será paga a conta do alfaiate. Nada aos pobres.

Surgiu, então, o alfaiate, que, pedindo a cópia do original, fez estas pontuações: Deixo meus bens à minha irmã? Não! Ao meu sobrinho? Jamais! Será paga a conta do alfaiate. Nada aos pobres.

O juiz estudava o caso, quando chegaram os pobres da cidade, e um deles, o mais sábio, tomando outra cópia, pontuou-a assim: Deixo meus bens à minha irmã? Não! Ao meu sobrinho? Jamais! Será paga a conta do alfaiate? Nada. Aos pobres.